Cães permanecem abandonados, após um ano

Para quem vive em Santos, ou na região, e gosta de animais já deve ter visto as seguintes imagens em forma de denúncia rolando a timeline do Facebook em páginas de protetoras e até mesmo em comunidades:

denuncia

Vocês sabiam que não é a primeira vez que esse caso está sendo denunciado para as autoridades da prefeitura de Santos? Já é a terceira vez que Yeda Lima de Sampaio, de 87 anos, dona da casa e dos cães localizados na Ponta da Praia, vai parar nas redes sociais e na televisão.

Foto: Wesley Pereira / Arquivo Pessoal
Foto: Wesley Pereira / Arquivo Pessoal

Em agosto do ano passado, após denúncias de ratos, acumulo de sujeira e de que um cachorro estava doente com feridas provocadas por mordida de ratos, vizinhos denunciaram a idosa à Vigilância Sanitária, que na época aplicou uma multa e uma intimação para que ela se comprometesse a limpar o local.

Em 2012, a Alexandra Figueiredo, do Animal S.O.S., foi até o local e fez uma reportagem, assista AQUI.

Segundo a protetora de animais Mariza Moreno, após a prefeitura multar a idosa, “as autoridades ignoraram a situação dos animais e ficaram de enviar uma assistente social, mas nada foi feito.” Mariza afirma que a idosa é acumuladora de lixo e que “várias protetoras locais tentaram ajudá-la – com limpeza e conversas –, mas que Yeda ameaçou a processar as mulheres”.

Na ocasião, uma equipe da Sevicoz (Seção Vigilância e Controle de Zoonoses) foi até o imóvel para desratizar o local a pedido do vereador Benedito Furtado.

O caso voltou à tona ontem (4/12), quando a página do Facebook Viver em Santos publicou a foto do local cheio de fezes de animais e entulhos jogados pelo quintal em meio aos cachorros. O auxiliar administrativo Wesley Pereira, vizinho da casa, diz que “senhora não mora no local, mas visita a residência de vez em quando e que tudo que ela faz é dar ração para os cães.” Além de colocar água e comida pela grade, Wesley diz já ter acionado ONGs locais, mas que nenhuma providência foi tomada.

No momento da publicação desta post, o do Facebook já tinha mais de mil compartilhamentos e centenas de comentários – entre eles, um e-mail do vereador Benedito Furtado, que afirma que o caso é antigo e que foi solicitado um trabalho conjunto das Secretarias do Meio Ambiente, da Assistência Social e da Saúde para resolverem o caso. Afirma ainda que o Ouvidor Público já foi comunicado.

O G1 fez reportagem no local, mas não conseguiu conversar com Yeda Sampaio.

Essa história tem tudo para testar a sabedoria – e não a esperteza – das pessoas que conquistaram nas urnas o papel de gerir o suado dinheirinho da população. Depois da repercussão e do sucesso dos ativistas do Instituto Royal, já era para os administradores da cidade terem percebido que está sendo espetada na sua conta eleitoral uma dívida que não costumava ser cobrada antes.

Até agora, os casos de maus-tratos de animais vêm sendo tratados pela imprensa e pelas autoridades como num jogo de faz-de-conta. Um finge que denuncia, e o outro finge que faz alguma coisa. Ambos deixam que o foco permaneça nos cães, porque é mais conveniente e confortável provocar nas pessoas a pena dos bichinhos do que tomar providências de verdade contra as pessoas – essas, sim, como a tal Yeda, os únicos responsáveis por quase todas as mazelas da própria raça humana. Os políticos deviam aproveitar a oportunidade. E se não for por sabedoria, que seja por esperteza mesmo.

Já seria alguma coisa.

Veja a reportagem produzida pela TVB – Band Litoral:

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