Mulher que agrediu cão em Cachoeiro diz que sofreu surto

Cremilda da Silva da Conceição Caetano, de 72 anos, prestou depoimento à CPI dos Maus-tratos  durante reunião extraordinária realizada na Câmara Municipal de Cachoeiro de Itapemirim. Na oportunidade, ela detalhou a agressão que praticou contra o seu cachorro, Campeão (agora rebatizado de Carlos Ambrósio), dia 28 de julho, no Bairro Boa Vista.

Dona Cremilda alegou que logo depois do incidente não se lembrava do que havia acontecido. Somente depois de algum tempo recobrou a memória, no momento em que estava fazendo janta para o seu marido, afirmou. “Eu já pedi perdão a Deus. Em momento nenhum pensei em matar o meu cachorro. Isso só aconteceu porque eu surtei. Já arrependi, e muito, por causa disso”, disse a proprietária do animal.

Assista ao vídeo que ela reencontra o cão

Ela informou que o animal adquiriu alguns costumes que ele não consegue controlar, como correr atrás de moto e de carros. “Eu não posso mais ter esse animal em casa”, explicou. Com relação ao motivo da agressão, disse que “ele não mordeu o menino, só arranhou. O cachorro atacou a criança porque ele estava com um pau na mão”, revelou. “Ele é tão manso que as crianças brincavam com ele. Eu tenho ele há 12 anos”, explicou e garantiu que a madeira com a qual ela bateu no animal não tinha nenhum prego.

O animal

Havia uma denúncia de que o animal havia sido trocado e que aquele agredido estaria morto. Diante da comissão da Ales, a senhora Cremilda teve tentativa de contato com o animal e ele correspondeu à depoente.

Felipe Vivas, delegado de polícia em Cachoeiro, afirmou que por volta das 16 horas do dia do ocorrido ele viu um vídeo da internet que aparecia a depoente espancando um cão. Ele informou que os policiais foram à casa dela para conter a população que ameaçava agredi-la, e depois ela foi levada a delegacia, a 7ª Delegacia Regional, onde prestou depoimento e foi liberada.

A presidente da CPI, deputada Janete de Sá (PMN), propôs que Dona Cremilda fosse encaminhada para algum centro de proteção aos animais a fim de prestar serviços comunitários e se inteirar com o tratamento e a situação dos animais agredidos. Já para Doutor Hércules (PMDB), a senhora deve ser respeitada em todos os seus direitos, mas “não se deve passar a mão em sua cabeça”. Segundo ele, ela deveria receber algum tipo de condenação.

Atendimento

Marcos Eugênio Lesqueves, médico veterinário, declarou que soube do caso pela internet e que atos de maus-tratos contra animais são comuns. Nesse caso, analisou, a violência ganhou contornos mais fortes por ter sido filmada. O novo nome dado ao animal, Carlos Ambrósio, foi cedido por um laboratorista que ajuda na recuperação do cachorro – que ganhou um plano de saúde.

O cão ainda hoje está sob cuidados porque há em seu crânio uma série de fraturas e corre risco de ficar cego do olho esquerdo. Por isso, ele não pode ter alta médica. Ambrósio chegou na clínica inconsciente e ainda requer muito cuidado. “Ele é muito brincalhão e não pode ficar solto por que pode bater a cabeça em algum lugar”, explicou.

Lesqueves não pode ficar com o animal que está sob a responsabilidade do Centro Controle Zoonoses (CCZ). “Queria que ele fosse para uma casa legal e muito bem tratado. O animal não é agressivo e não tem motivos para sofrer o que ele sofreu”, afirmou o veterinário.

Centro de zoonoses

Catharine Partellilima, médica veterinária do CCZ, disse que chegaram dois policiais no local da agressão e pediram ajuda ao órgão. Ela informou que o animal deve ficar dez dias em observação porque atacou uma criança. Depois, se não houver outra medida em relação ao cachorro, ele será devolvido a dona.

Neida Lúcia Vaz, da Sociedade Protetora dos Animais do Espírito Santo, solicitou à CPI que dona Cremilda perca o direito de possuir qualquer animal, visto que ela pode ter a qualquer momento um novo surto e atacar outros animais em seu poder – Dona Cremilda tem ainda um gato e outro cachorro. A deputada Janete de Sá reforçou e oficializou a sugestão, propondo que a Justiça promova tal interdição.

Diante dessa informação, a deputada disse que não gostaria que Ambrósio voltasse para sua antiga dona. Por outro lado, Diego Volpini, médico veterinário do CCZ, disse que há muitas pessoas interessadas na adoção do animal e que o procedimento dado a esses casos é padrão.

ONGs

Celma Gomes, da Organização Não Governamental (ONG) Amacaxu, destacou a importância da audiência pública para Cachoeiro do Itapemirim. “Um dia histórico para a proteção dos animais na cidade”, declarou. Celma lembrou que o poder público não tem dado atenção e assistência necessárias para que os animais recebam a proteção adequada.

 

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